Federico Fellini não gratuitamente é aclamado como um dos maiores cineastas do mundo. Ele produziu com excelência obras de cunho universal, com notável riqueza de símbolos e interpretações críticas do cotidiano.

Mesmo sendo declaradamente católico teve liberdade de analisar a religião com olhos externos. Sua construção minuciosa remete inúmeras vezes a conteúdos cristãos em sua aparente desconexão com a atividade social. Em A Doce Vida (1960) a história do homem sem rumo encerra diversas alegorias sobre escolhas e oportunidades desconsideradas diante da irreflexão. A série de desventuras em que o personagem se mete condenam a postura que o diretor acreditava ser a virtuosa.

Em outro título famoso, (1963), o Cinema volta a ser questionado se destinado à arte ou ao entretenimento. Na torta linha que o personagem, um diretor de cinema reconhecido, tenta reatar seus dons artístiscos em meio a uma crise de inspiração, a vida pessoal volta à cena diante de um problema maior, a indefinição do próprio protagonista operada por séries de frivolidades.



Em especial o caráter dessas duas magnifícas obras é autobiográfico. Na apatia instrospectiva da década de 60 na Itália, o autor quis destacar a angústia que não poucos sofriam. Ponto para a criação do roteiro e dúvida para a moral reverenciada.

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