A briga de Preta

Como o mundo é mutável e o todo poderoso tempo se encarrega de assegurar a regra, testemunhamos a constante normativa do belo alterando-se na mente humana. A medieval adulação da abundância, vejam só, hoje despertaria protestos em torno da “vida saudável”. As guerras modernas tornaram o mundo mais hedonista, mas o elemento determinista para a progressão dos conceitos foi, sem dúvida, o mito idealizado de cada geração. Com a massificação da comunicação foi consolidado o mercado da moda, e não me refiro unicamente às roupas. De Marilyn Monroe à Gisele Bündchen o globo respira esta cultura da beleza a cada página folhada e comercial assistido.



A atual década corresponde ao tie brake desta jornada. A engenharia genética associada à sempre tão distante contemplação do belo idealizado constituem o marco desta neurose. Da lipoescultura ao peeling, do bronzeamento artificial ao silicone, a sociedade inteira é vitimada e, num ciclo, fortalece o mercado.
Ocorre que pioneiros como Preta Gil decidem questionar referido pensamento. Se as garotas sofrem de Bulimia e Anorexia, Preta é um caso sintomático de espontaneidade nervosa (senão auto-promoção mesmo). Saturados de “emagreça já!”, “magri-shakes”, “celulite nunca mais”, as pessoas passarão a opor-se ao jugo da publicidade pró-magreza. A promiscuidade que presenciamos é derradeira da celebração da forma em detrimento ao conteúdo.



A preocupação com a saúde cresceu, produtos com o selo de “livre de gorduras –trans”, “rico em ômega 3” e “baixo colesterol”, reproduziram-se rapidamente. As academias de musculação de tão populares lembram as bibliotecas da antigüidade. A harmonia mental e física coexistem quando o foco são terapias alternativas anti-stress. Porém, sob a máscara ostentada em cada um destes itens está a admiração pelo corpo e a meta da cintura sempre fina, rosto jovem e sem rugas.

Se o conceito de beleza é individual, então por que continuamos obcecados pela estética? Resquícios dessa nova visão crítica estão a surgir, espera-se o apoio dos formadores de opinião da sociedade.

A beleza é o fogo que arde sem se ver.

1 comentários:

  1. Anônimo disse...

    A beleza é um valor muito volúvel.
    Não deve ser questionado pois seria uma discussão longa e antes alcançar alguma conclusão sensata já teria mudado novamente. Então os que se encaixam nos padrões do atuais devem aproveitar afinal o que é bom dura pouco...