Parece que o Pós-Modernismo ainda rende reflexões no cinema. Essa é a proposta de Pequena Miss Sunshine, que reúne elementos convencionais da sociedade a estereótipos de problemas pessoais. No longa, que recebeu o Oscar de Melhor Roteiro Original, uma família parte com destino ao concurso de beleza de que a caçula participará, mas a idéia a princípio não chega a encher os olhos do público. Eis que o contraste de tipos desponta como trunfo no filme, da seguinte maneira: o pai, Richard (Greg Kinnear), atua incessantemente com a sua enfadonha psicologia de auto-ajuda “Seja um vencedor”; o irmão, Dwayne (Paul Dano), retrai-se de toda convivência social, tendo, inclusive, feito a promessa de se emudecer até que ingressasse na academia militar; a mãe, Sheryl (Toni Collette), é a mediadora dos conflitos familiares, pondo em segundo plano a própria vida pessoal; o avô (Alan Arkin) é um senhor insatisfeito com a vida e viciado em heroína; o tio, Frank (Steve Carell), é um professor gay que tentou suicídio após se desiludir com um aluno.

A menina é o elo que une o grupo na sua jornada através do país a bordo de uma singela Kombi. Na medida em que se desenrola, a história contempla os dramas pessoais de cada membro da família, atraindo o espectador, seja pela profundidade da cena, seja pelo bom humor encaixado. A metáfora é o elemento crucial da proposta da obra.

A composição faz imediatamente (re)pensar-se a idolatria de mitos levianos do Eu contemporâneo. Alicerçados pela forma dos objetos, absorvemos cada vez mais a cobrança sobre nós mesmos, promovendo não o medo de perder, mas o medo de não ganhar. É como a referência feita a Proust, que diz que os momentos de infelicidade são o verdadeiro engrandecer do sujeito. Enfim, surge a arte de perder.

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